Saúde

Vacinação HPV e Meningite C – Fique atento ao calendário de vacinação


HPV

O HPV (vírus do papiloma humano, do inglês human papiloma virus) é uma infecção sexualmente transmissível, provocada por vírus que atacam, especialmente, as mucosas (oral, genital ou anal), tanto nas mulheres como nos homens. Existem mais de 200 variações desse tipo de vírus. A maioria está associada a lesões benignas, como o aparecimento de verrugas, que podem ser clinicamente removidas.

Existem, no entanto, 12 subtipos de HPV que estão, segundo a literatura científica, associados aos cânceres do colo do útero, de pênis, de orofaringe e, até mesmo, de câncer reto-anal. No Brasil, há predominância na circulação de quatro subtipos que atingem tanto homens quanto mulheres.

A principal forma de transmissão do HPV é por via sexual, que inclui contato oral-genital e genital-genital. Embora de forma mais rara, o HPV pode ser transmitido durante o parto ou, ainda, por determinados objetos.

Verrugas não dolorosas, isoladas ou agrupadas, que aparecem nos órgãos genitais.
Irritação ou coceira no local.
O risco de transmissão é muito maior quando as verrugas são visíveis.
As lesões podem aparecer no pênis, ânus, vagina, vulva (genitália feminina), colo do útero, boca e garganta.
O vírus pode ficar latente no corpo: a lesão muitas vezes aparece alguns dias ou anos após o contato.
As manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e pessoas com imunidade baixa.
Sintomas

Em curto prazo, a infecção não apresenta qualquer tipo de sintoma. Em longo prazo, o diagnóstico geralmente aparece quando a infecção já provocou o surgimento desses cânceres.

O Ministério da Saúde adotou a vacina quadrivalente, que protege contra o HPV de baixo risco (tipos 6 e 11, que causam verrugas anogenitais) e de alto risco (tipos 16 e 18, que causam câncer de colo uterino).

A população-alvo prioritária da vacina HPV é a de meninas na faixa etária de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, que receberão duas doses (0 e 6 meses) com intervalo de seis meses, e mulheres vivendo com HIV na faixa etária de 9 a 26 anos, que receberão três doses (0, 2 e 6 meses).

A vacina funciona estimulando a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pela pessoa vacinada, a presença desses anticorpos no local da infecção e a sua persistência durante um longo período de tempo. Essa vacina é destinada exclusivamente à utilização preventiva e não tem ainda efeito demonstrado nas infeções pré-existentes ou na doença clínica estabelecida.

Outro aspecto relevante é que a vacina HPV quadrivalente é segura e os eventos adversos pós-vacinação, quando presentes, são leves e autolimitados. Eventos adversos graves são muito raros; entretanto, quando acontecem, necessitam de avaliação e assistência imediata e adequada de profissionais devidamente qualificados na rede de serviço do SUS. É importante lembrar que a vacina não substitui o exame preventivo de câncer de colo uterino.

Veja Calendário Nacional de Vacinação

Diagnóstico e tratamento

Na presença de qualquer sinal ou sintoma da infecção pelo HPV, recomenda-se procurar um profissional de saúde para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado.

A realização periódica do exame preventivo de câncer de colo uterino é uma medida de prevenção.

Importante

O exame preventivo (de Papanicolaou ou citopatológico) pode detectar as lesões precursoras. Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir a doença em 100% dos casos.

O exame deve ser realizado preferencialmente pelas mulheres entre 25 e 64 anos, que têm ou já tiveram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser feitos com intervalo de um ano e, se os resultados forem normais, o exame passará a ser realizado a cada três anos.

MENINGITE

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, vírus, parasitas e fungos, ou também por processos não infecciosos. As meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, devido sua magnitude, capacidade de ocasionar surtos e, no caso da meningite bacteriana, a gravidade dos casos. No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no inverno e, das virais, no verão.

Sintomas
Os principais sinais e sintomas são: febre, dor de cabeça, vômitos, náuseas, rigidez de nuca e/ou manchas vermelhas na pele.

Diagnóstico
Em crianças menores de um ano de idade, os sintomas podem não ser tão evidentes. Por isso, é necessário ter atenção para a presença de moleira tensa ou elevada, irritabilidade, inquietação com choro agudo e persistente, além de rigidez corporal com ou sem convulsões.

Transmissão
Em geral, a transmissão é de pessoa a pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta.

A transmissão fecal-oral é de grande importância para a meningite viral, principalmente, nas infecções por enterovírus.

Prevenção
Além da ida rápida aos serviços de saúde ao se perceber os sinais e sintomas sugestivos de meningite (febre acompanhada de dor de cabeça, vômitos, náuseas, rigidez de nuca e/ou manchas vermelhas na pele), a prevenção da doença conta com a quimioprofilaxia dos contatos próximos e a vacinação.

A quimioprofilaxia está indicada SOMENTE para os contatos próximos dos casos suspeitos de Doença Meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae tipo b.

Outras formas de prevenção incluem: evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos.

A vacinação é considerada a forma mais eficaz na prevenção da doença, e as vacinas contra as bactérias são sorogrupo ou sorotipo especificas. No calendário de vacinação da criança do Programa Nacional de Imunização estão disponíveis:

a vacina Pentavalente: protege contra as infecções invasivas causadas pelo H. influenzae do sorotipo b, entre elas a meningite. Esta vacina também confere proteção contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.
a vacina Pneumocócica 10 valente conjugada: protege contra as infecções invasivas, entre elas a meningite, causadas por dez sorotipos do S. pneumoniae.
a vacina Meningocócica C conjugada: protege contra a doença meningocócica causada pela N. meningitidis sorogrupo C.
a vacina BCG: protege contra as formas graves de tuberculose (miliar e meníngea).

Veja Calendário Nacional de Vacinação

Tratamento
O tratamento é feito de acordo com a causa da meningite diagnosticada pelo médico, variando desde o tratamento para alívio dos sintomas (nas meningites virais e traumáticas) até a antibioticoterapia (nas meningites bacterianas, fúngicas e eosinofílicas).

De um modo geral, a antibioticoterapia é administrada por via venosa por um período de 7 a 14 dias, ou até mais, dependendo da evolução clínica e do agente etiológico.

No caso da meningite bacteriana, o tratamento com antibiótico deve ser instituído tão logo seja possível, preferencialmente logo após a punção lombar e a coleta de sangue para hemocultura. O uso de antibiótico deve ser associado a outros tipos de tratamento de suporte, como reposição de líquidos e cuidadosa assistência.

A precocidade do tratamento e diagnóstico são fatores importantes para o prognóstico satisfatório das meningites. Quanto mais rápido o atendimento médico, maiores as chances de uma boa recuperação do paciente, reduzindo o risco de óbito ou sequelas (paralisia dos membros, perda auditiva, perda da visão, etc).